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  • Markus Lothar Fourier

Por que fazer terapia de grupo?

Atualizado: 15 de mar. de 2023

Minha experiência como paciente em terapia de grupo me tornou um psicólogo fã dessa modalidade. Eu realmente acho que todos que estão buscando processos de desenvolvimento deveriam experimentar essa forma de psicoterapia, ela possui características e ganhos particulares. Irvin Yalom resumiu os benefícios da terapia em grupo em 11 fatores terapêuticos. Eis aqui um resumo desses fatores que talvez desperte seu interesse para experimentar essa forma de desenvolvimento.


Os 11 fatores terapêuticos de Irvin Yalom:


1. Instilação de esperança

A esperança da resolução do problema é um ponto essencial para que o processo tenha resultados. Ela não apenas mantém a pessoa no processo, dando tempo para que os efeitos comecem a surgir, como também é em si um fator ligado à melhora da pessoa. Existem diversas pesquisas apontando que a expectativa do paciente aumenta a chance deste conseguir os resultados desejados.


2. Universalidade

A terapia em grupo é uma excelente forma de constatar a universalidade dos nossos sofrimentos e angústias. É comum, especialmente naqueles que iniciam um processo terapêutico, existir a ideia de que suas questões são totalmente particulares e que eles são aberração ou seres raros e mal afortunados. Embora todas as pessoas possuam particularidades e não seja possível comparar os sofrimentos, há também muitas coisas em comum em nossas dores. Essa constatação geralmente leva a um alívio e à sensação de que não estamos totalmente sozinhos.


3. Compartilhamento de informações

Nos grupos de terapia, é possível encontrar também o uso da instrução didática sobre a saúde mental, doenças mentais e a psicodinâmica geral fornecida pelos terapeutas, bem como o aconselhamento, as sugestões ou a orientação direta do terapeuta ou outros membros do grupo. Esse processo de psicoeducação é bastante útil para inúmeras situações e empodera as pessoas para que elas aprendam a manejar melhor suas questões.


4. Altruísmo

A terapia de grupo é um excelente lugar para que as pessoas tenham a experiência de estarem ajudando e não apenas serem ajudadas. Para muitas pessoas, esse fator é extremamente terapêutico, pois as nutre com uma sensação de valor e potência que nem sempre estão presentes em suas rotinas.


5. Recapitulação corretiva do grupo familiar primário

Um dos mais potentes fatores terapêuticos dos grupos está na possibilidade de reviver e corrigir os modelos familiares não saudáveis. Em um grupo de terapia, é possível encontrar aqueles que ocupam lugares de autoridade, como os terapeutas ou co-terapeutas, ou aqueles que ocupam lugares mais maternos ou fraternos. No decorrer do processo terapêutico, as pessoas passam naturalmente a se comportar uns com os outros da mesma forma como se comportam em seus núcleos familiares, e daí surge a possibilidade de se reconhecer, observar e treinar novos padrões relacionais.


6. Desenvolvimento de técnicas de socialização

Toda terapia em grupo permite a aprendizagem de habilidades de socialização. Alguns grupos possuem esse objetivo explicitamente, como grupos temáticos que ajudam pessoas com dificuldade para iniciar uma paquera. Outros grupos, embora não possuam essa finalidade, permitem indiretamente esse desenvolvimento. É bastante comum que durante uma sessão uma pessoa receba feedback sobre como sua dificuldade em olhar nos olhos gera desconfiança, ou é possível que essa pessoa reconheça em si mesma uma dificuldade presente em outra pessoa. Essas trocas e percepções permitem a ampliação da consciência e geralmente iniciam um movimento que tende a ser positivo se o grupo for bem conduzido. As técnicas de role-play são comuns nesses casos e permitem que se experimentem e treinem determinados comportamentos.


7. Comportamento imitativo

Além da ampliação da consciência sobre si, os grupos permitem a observação e imitação de comportamentos considerados adequados. Soma-se a isso o fato de que os grupos são lugares seguros para se experimentar, errar, receber feedback e corrigir os comportamentos indesejados. Muitos sofrimentos e problemas vêm de comportamentos inadequados, que geram constrangimento ou desconexão com as pessoas. Quando esses comportamentos são ajustados, há uma resposta imediata do meio, o que reforça sua repetição, estimula a criação de um novo hábito e ainda reflete no aumento da autoestima do indivíduo. Sem o grupo, a tentativa de encontrar uma nova forma de se relacionar pode, por vezes, ser mal sucedida e desencorajante, freando a mudança.


8. Aprendizagem interpessoal

Além dos comportamentos imitativos e das técnicas de socialização, grupos terapêuticos também permitem que haja uma aprendizagem relacional. Em outras palavras, grupos de terapia permitem às pessoas aprenderem a desenvolver intimidade nas relações. Não me refiro aqui a intimidade romântica, mas sim à intimidade necessária para que exista um sentimento de conexão e segurança que nos permite ser autênticos na relação com a outra pessoa.


9. Coesão grupal

A coesão grupal pode ser resumida como o sentimento de pertencimento a um grupo. É quando sentimos que temos um lugar e papel em um determinado contexto e grupo de relações. Pertencer é uma das necessidades básicas do Ser Humano. Sem um "lugar" no mundo, a tendência é que nos desestruturemos radicalmente, e por isso, esse é um dos fatores terapêuticos mais potentes na terapia de grupo. Para muitas pessoas, esse sentimento é raro ou até mesmo desconhecido, pois nunca tiveram essa experiência na vida.


10. Catarse

Em grupos coesos, a expressão de sentimentos em qualquer intensidade se torna possível, o que favorece o alívio das tensões psíquicas. Esse processo de catarse não é exclusivo da terapia de grupo, tão pouco é capaz, por si só, de gerar mudanças, mas quando bem manejada pelo terapeuta e pelo grupo é um passo importante para que se alcance uma condição mais saudável. A particularidade dos grupos nessas manifestações ocorre porque estabelecemos diferentes relações com cada uma das pessoas e isso aumenta a chance de que memórias e emoções esquecidas sejam acessadas.


11. Fatores existenciais

O 11º fator terapêutico remete às questões existenciais da vida. Perdas, doenças e outras limitações da condição humana são vivenciadas mais frequentemente em grupo, pois podem surgir de todos os lados e não apenas da experiência de uma única pessoa, como na terapia individual. Esses constantes confrontos com a Vida favorecem o surgimento da aceitação em relação aquilo que não se pode mudar e também ajudam no desenvolvimento de estratégias de enfrentamento mais saudáveis. Passamos a enfrentar a vida como ela é e não como gostaríamos que ela fosse. Ficamos menos paralisados ou destrutivos diante das impossibilidades e buscamos um caminho possível e satisfatório para seguir vivendo a vida, um caminho que seja espontâneo e criativo.


O que você achou? Ficou com vontade de experimentar? Se a resposta for sim, basta buscar no google ou no site do CRP do seu estado e você certamente encontrará diversos profissionais que, como eu, atendem em grupo. E nem precisa esperar terminar o distanciamento social. Muitos psicólogos seguem com os grupos em formatos on-line. Espero ter te ajudado ;-)


Fonte:

Psicoterapia de Grupo: teoria e prática - por Irvin D. Yalom e Molyn Leszcz - Artmed, 2007.


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